Em 2012, quero andar de bicicleta

Gosto cada dia menos de morar em São Paulo, pelos motivos mais óbvios. Não rezo, porque não acredito em reza, mas torço, porque torcida sempre ajuda, pra que um homem bom pouse na Prefeitura e outro homem bom pouse no Governo do Estado; e ambos se aliem pela população, e não pelos partidos e padrinhos, para converter a metrópole em uma grande rede metroviária, escondida debaixo da terra e recoberta por muitas árvores, suficientemente afastadas entre si para permitir o vaivém de muitas e muitas bicicletas. Enfim, sonho meu. Mais fácil plantar uma muda de bicicleta na minha garagem e arriscar. Natal de 2012, pressuponho.

Aquaman vs BP by Rob Kelly @ The Aquaman Shrine

Aquaman vs BP by Rob Kelly @ The Aquaman Shrine

(post copicolado de eclecticbanana)
(post copicolado de cosfail)

Não sei se é realmente verdade, mas a campanha é sensacional.

Dia Mundial Sem Carro, essa necessidade ignorada

O Dia Mundial Sem Carro, ignorado hoje (22 de setembro) pela maioria dos paulistanos, não é uma prática. É um convite à reflexão — a mais séria reflexão possível para quem vive em São Paulo e pretende que a cidade melhore e se torne um pouco mais palatável para seres humanos.

O Dia Mundial Sem Carro deveria figurar como data mais importante do ano no calendário da Prefeitura. Deveria ser planejado por entidades civis, em parceria com o governo municipal, com pelo menos seis meses de antecedência. Deveria ser muito mais falado que a Virada Esportiva, simplesmente porque os 30% da população que se locomovem de carro criam as condições para um cotidiano infernal vivido por 100% da população.

Se os cidadãos de classe média e acima, detentores do poder econômico — os que mais reclamam do trânsito, aliás — se unissem para pressionar os governos municipal e estadual a criar melhores condições e cobertura de transporte público, talvez as projeções metroviárias para aumento de linhas já tivessem sido concluídas. Não o foram até agora por absoluta falta de pressão nos governantes. Dinheiro para isso se arranja até no Banco Mundial. O que falta para o metrô com que todo paulistano sonha sair do papel é vontade política — a única coisa que está sobrando é interesse eleitoreiro. Você já ouviu falar de uma “Linha Laranja”? Eu já, dez anos atrás, num mapa de transporte publicado pelo próprio Metrô. Deveria ser uma linha expressa interligando algumas estações da Linha Vernelha ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Um jeito de tomar o avião sem gastar 100 reais com táxi e 2 horas no trânsito. Um exemplo de como a cidade poderia ser — e continua não sendo.

A pressão social talvez alavancasse as empresas de ônibus à melhoria dos serviços e transparência na gestão. Que se ponha em xeque essas concessões públicas se os empresários do setor não aceitarem criar mais linhas periféricas e menos linhas radiais do centro. Além de, é claro, melhorar a qualidade dos ônibus e treinar seus motoristas a tratarem seus transportados como gente.

Poderíamos ter, todos nós, um ir e vir com mais saúde: caminhadas curtas mas bem aproveitadas, respirando um ar da rua com menos poluição aérea e sonora. Teríamos mais incentivo ao comércio de bairro e ao espírito comunitário, e menos centralização nos patéticos shopping centers. Menos vias expressas e mais parques. Menos alargamento de faixas, e mais ciclovias. Menos semáforos e mais árvores.

Obviamente, o dia não se chamaria “Mundial” se tais problemas não afetassem também outros centros urbanos. Mas crescimento desordenado e opção pelo veículo terrestre de mais alto custo por quilômetro percorrido (mais ainda num país de terceiro mundo) são características que se aliam em São Paulo de forma espantosamente gritante. Com a mídia falando tanto em cidadania, ecologia e responsabilidade social, nada doeria tão pouco nas pessoas e poria tanta pressão nos governantes como a decisão simples e individual de deixar o carro em casa — e cobrar coletivamente pelos direitos à locomoção sadia e sensata. Hoje fiz um pouco disso e pretendo fazer mais.

Jon Arbuckle poderia ser eu. Não entendo como vêem isso como humor sarcástico. Acho que Jim Davis nunca jogou um Eurogame…
Do ótimo Garfield minus Garfield.

Jon Arbuckle poderia ser eu. Não entendo como vêem isso como humor sarcástico. Acho que Jim Davis nunca jogou um Eurogame…

Do ótimo Garfield minus Garfield.

A democracia foi sempre no Brasil um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la aos seus direitos e privilégios.
Sérgio Buarque de Hollanda, em 1936. Devidamente citado por Sérgio Malbergier numa lúcida observação sobre Sarney feita na Folha.

Um lugar onde eu trabalhei era assim. Charge do Rodrigo Ascenção, publicada no insuperável Piores Briefings do Mundo.